• Eloisa Artuso

Chegou o tempo da natureza

Em meio ao que estamos vivendo hoje, escolhi trazer uma reflexão: o que a pandemia do coronavírus pode nos dizer sobre a maneira como temos conduzido os negócios? Primeiro, precisamos reconhecer que a ideia de desenvolvimento e progresso que conhecemos é insustentável e está nos conduzindo para um fim cada vez mais crítico e talvez irreversível. Continuar vivendo na crença de crescimento infinito em um planeta finito é uma ilusão trazida por um sistema econômico centrado no homem, que desconsidera completamente a natureza e nossa intrínseca relação de vida com ela. A natureza não é nossa, não podemos fazer com ela o que quisermos, ela é a nossa casa e nós somos ela.


Está na hora de ser melhor do que de costume. Nossos modelos de produção, assim com as condutas político-econômicas regentes, não são nem de perto o suficiente para lidar com uma pandemia ou com a crise climática que bate à nossa porta. Ainda, sabemos que essas crises afetam muito profundamente as populações mais vulneráveis. Assim como a grande maioria das pessoas que produzem nossas roupas, calçados e acessórios é vulnerável e carece de licença saúde ou assistência médica adequada e melhores condições de trabalho e moradia.


Mas a natureza tem seu tempo e está no mostrando que ele é agora. Todos os sinais já foram dados, não nos cabe mais adiar essa mudança de paradigma. Precisamos de uma economia que coloque as pessoas e a natureza acima do lucro. É urgente um sistema econômico que dê suporte e respeite a capacidade regenerativa do sistema natural e garanta uma vida digna e o bem-estar social. E este deve ser resiliente, inclusivo, igualitário e sustentável e gerar valor para as pessoas e o planeta.


Desde 2013, o Fashion Revolution usa a voz coletiva para reunir comunidades, oferecer apoio, compartilhar conhecimento e pensar criativamente sobre soluções para situações desafiadoras. Lutamos por uma indústria da moda que conserve e restaure o meio ambiente, e valorize as pessoas acima do crescimento e do lucro. Queremos pedir para que você traga seu ativismo para casa: conserte, revenda, aprenda um trabalho manual, visite seu guarda-roupa: observe as etiquetas, analise os detalhes das peças, pesquise as marcas. Além disso, proteja sua economia local: compre de empresas próximas, especialmente as pequenas; apoie pessoas cujas atividades e eventos tenham sido cancelados; doe dinheiro a uma iniciativa que assista grupos vulneráveis.


Se você tiver um negócio: implemente o trabalho remoto (quando possível); garanta licença saúde paga, horários flexíveis, bônus antecipados e os empregos pelos próximos meses e, se preciso, reduza a proporção salarial de cima para baixo; rejeite o racismo e tenha paciência extra com ineficiências. Isso dará às pessoas segurança e uma melhor capacidade de lidar com as demandas do trabalho e da família.

Veja como algumas marcas estão lidando com a crise e comunicando suas ações: Movin; Malwee; Pano Social; Patagônia; e Grupo LVMH. Podemos usar esse momento para fazer um balanço e permitir que o presente nos torne mais bem preparados e comprometidos com um futuro sustentável. Vamos criar juntos o mundo que queremos após a crise.




Eloisa Artuso

Designer, diretora educacional do Fashion Revolution Brasil e professora de Design e Sustentabilidade do IED - Istituto Europeo di Design


Conteúdos Programa Origem Sustentável | Gestão Da Sustentabilidade | Brasil

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