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Sustentabilidade 360º Para as Organizações

  • Foto do escritor: Origem Sustentável
    Origem Sustentável
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Durante muito tempo, a sustentabilidade foi tratada como um tema periférico nas

organizações. Um assunto “importante”, mas quase sempre empurrado para relatórios,

campanhas pontuais ou exigências regulatórias. Essa abordagem, além de limitada,

esvaziou o real potencial transformador da sustentabilidade. Hoje, não há mais espaço

para esse tipo de leitura. Sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a ser

estratégia.


Ao longo da minha trajetória, tenho observado que as organizações mais preparadas

para enfrentar cenários de incerteza são justamente aquelas que compreenderam a

sustentabilidade como parte da lógica do negócio. Não se trata de fazer mais, mas de

fazer melhor: revisar processos, repensar decisões, qualificar relações e alinhar

propósito com desempenho. É a partir dessa vivência que construo a ideia de

Sustentabilidade 360°, uma abordagem que parte da integração e não da

fragmentação.


O erro mais comum ainda é tratar sustentabilidade como um conjunto de ações

isoladas. Planta-se uma árvore aqui, cria-se um projeto social ali, publica-se um código

de ética e acredita-se que o trabalho está feito. Na prática, iniciativas desconectadas

produzem pouco impacto e geram frustração. Sustentabilidade só se sustenta quando

atravessa toda a organização: do uso de recursos naturais à forma como as pessoas

são lideradas, do relacionamento com fornecedores à transparência nas decisões.


Quando olhamos para a dimensão ambiental sob essa perspectiva, ela deixa de ser

um “custo verde” e passa a ser sinônimo de eficiência. Redução de desperdícios, uso

racional de energia e revisão de modelos produtivos geram ganhos concretos e

mensuráveis. O mesmo ocorre na dimensão social. Empresas que investem em

relações justas, inclusão produtiva e fortalecimento dos territórios onde atuam

constroem algo que nenhum orçamento de marketing compra: confiança.


Mas nenhuma transformação acontece sem cultura. A sustentabilidade não avança em

organizações onde os valores não são vividos no cotidiano. Ela começa pela

liderança, mas só se consolida quando se torna prática compartilhada. Cultura

organizacional, nesse contexto, não é discurso inspirador na parede, é critério de

decisão. É o que orienta escolhas difíceis e define prioridades, especialmente em

momentos de pressão.


A governança entra como o fio condutor desse processo. Transparência, ética e

coerência deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos de

sobrevivência. Empresas que não conseguem explicar suas escolhas, seus impactos

ou seus compromissos tendem a perder legitimidade. E legitimidade, hoje, é um ativo

estratégico.


Ainda existe resistência à agenda ESG, muitas vezes alimentada por uma falsa

oposição entre sustentabilidade e rentabilidade. Essa narrativa ignora a realidade.

Sustentabilidade bem estruturada reduz riscos, amplia acesso a mercados, fortalece

reputação e prepara os negócios para mudanças regulatórias e de consumo que já

estão em curso. A pergunta correta não é “quanto custa ser sustentável”, mas “quanto

custa não ser”.


Esse debate ganha contornos ainda mais relevantes quando falamos de pequenos

negócios. Ao contrário do que se imagina, são eles que, muitas vezes, já praticam


sustentabilidade na essência. Relações próximas, cuidado com pessoas,

responsabilidade com o entorno e decisões mais ágeis fazem parte do cotidiano de

muitas micro e pequenas empresas, mesmo que isso não seja formalizado como ESG.

O desafio não é começar do zero, mas reconhecer, organizar e potencializar o que já

existe.


Além de reduzir riscos, a sustentabilidade abre oportunidades. Ela impulsiona

inovação, estimula novos modelos de negócio e fortalece cadeias produtivas mais

responsáveis. Economia circular, reaproveitamento de materiais, inclusão social e

desenvolvimento territorial deixam de ser conceitos abstratos e passam a ser

caminhos concretos de geração de valor.


Falar em Sustentabilidade 360° é falar de visão sistêmica e responsabilidade

estratégica. Não é sobre fazer tudo ao mesmo tempo, mas sobre entender que tudo

está conectado. Ambiental, social, econômico, cultural e governança não são caixas

separadas, são partes de um mesmo organismo.


A sustentabilidade que defendo não é idealizada nem distante da realidade

empresarial. Ela é prática, possível e necessária. Mais do que um conceito, é uma

jornada de gestão que torna os negócios mais eficientes, competitivos e preparados

para um mundo que já mudou. Ignorar isso não é uma escolha neutra. É, cada vez

mais, uma escolha de risco.






Kelly Roselaine Valadares

Analista de Competitividade Setorial – Sebrae RS


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