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  • Foto do escritorLuiz Otávio Goi Junior

Somos ESG, mas nem tanto

Você deve ter percebido que ultimamente o ESG tem passado por migração temporária entre céu e inferno. Essa questão envolve desde empresas descontentes (como o caso da Tesla de Elon Musk, recentemente excluída de um dos índices mais importantes do mundo), como outras que estão despontando na frente das ações ESG (Como o caso da Natura que se tornou uma referência no tema).

Esse momento já estava previsto por alguns especialistas, principalmente porque o ESG cresceu em um período de forte comunicação online durante a pandemia da COVID-19 e com isso, empresas puderam focar suas atividades em ganhar holofotes dentro do tema. Porém, como sempre, a conta chega e o controle passa a se desenvolver com a maturidade e nesse momento, estamos vendo uma avalanche de críticas e questionamentos, seja por parte da opinião pública que após receber informação de especialistas quanto a possíveis casos de greenwashing nas empresas, tem questionado os auto intitulados ESG, ou até mesmo por parte de empresas que ontem listavam a maior parte de índices de sustentabilidade e hoje passam a amargar sua desclassificação pela maturidade desenvolvida no índice, que exclui empresas que tenham atividades potencialmente críticas nas questões ESG.

Esse período de transição, tem uma grande importância para o desenvolvimento da sigla no mundo e precisa ser avaliado com muito cuidado por todas as partes. Isso porque aquelas empresas que surfaram essa onda sem de fato estarem preparadas, buscarão inicialmente desacreditar a qualidade dos índices pois o risco de cancelamento é iminente a partir da descoberta das suas falsas agendas ESG e diante disso, uma nova percepção deve ser criada, com o intuito de demonstrar a devida qualidade necessária e principalmente a importância das ações realizadas de forma estruturada e menos agressiva, apresentando um forma de desenvolver as agendas em clima sustentável e positivo.

Entendemos que seja muito importante para as empresas se tornar ESG, porém, se todas as empresas o fossem assim como demonstram, talvez não estivéssemos passando por crises sociais, climáticas e relacionadas a governança e corrupção como vemos agora. Entender que o caminho é muito mais importante do que a linha de chegara deve ser algo que esteja estabelecido nas métricas dos tomadores de decisão sejam eles clientes ou acionistas, pois isso reduzirá a ansiedade das empresas em se tornar o que não são e com isso, fará com que as agendas proativas surjam e com que planos de gestão passem a fazer parte da rotina dessas empresas.

Outro ponto que deve ser analisado é que as métricas, índices e monitoramentos de empresas jamais devem ser tabelados ou de prateleira. Temos diversas empresas certificadas com ISO14001 por vários anos e que respondem diversos processos de passivo ambiental. As normas de prateleira infelizmente geram o aprendizado das lacunas e com isso, passam a se tornar meramente um plano decoreba para se certificar e não mais uma estratégia proativa de desenvolvimento empresarial. Para fazer valer o ESG como foi pensado no início dos anos 2000 por Kofi Annan, precisamos tornar o tema algo muito mais maduro, exclusivo e principalmente verdadeiro e para chegar nesse patamar, precisamos que todos tenhamos o entendimento de que se fossemos ESG, não precisaríamos discutir esse tema com tanta frequência nos dias de hoje.

Pense nisso e faça a diferença onde puder. Quanto mais aprendemos sobre essa sigla, descobrimos que não somos ESG o quanto imaginávamos. A partir do momento em que aumentamos a lupa do conhecimento, a estrada fica cada vez mais distante do destino final.




Luiz Otavio Goi Junior

Gerente corporativo SGI e sustentabilidade na Vulcabras


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